top of page

A CIÊNCIA POR TRÁS DAS CONEXÕES DIGITAIS E COMPETÊNCIA

Sabe aquela sensação de estar "sempre online", respondendo a dezenas de notificações no Teams ou Whatsapp, mas chegar ao fim do dia com a incômoda suspeita de que sua carreira está patinando no mesmo lugar?


A cena é clássica: o dia mal começa e o som das notificações já forma uma trilha sonora de ansiedade. São planos de trabalho, dúvidas de colegas e arquivos que se acumulam. Você se vê em uma postura puramente reativa, como se estivesse apenas "apagando incêndios" e aceitando demandas extras, mesmo quando o seu limite já foi atingido. No meio desse ruído digital, vivemos um isolamento irônico. Estamos hiperconectados, mas profundamente sozinhos, muitas vezes concluindo que "o problema sou eu" ou que "me falta foco".


Em meus mais de 20 anos ouvindo profissionais em consultórios e salas de reunião, percebo que essa exaustão raramente é falta de vontade. É uma falha na forma como nossas necessidades psicológicas básicas são atendidas no ambiente virtual. Recentemente, li um estudo de 2026 (Obeidat) realizado com 518 profissionais que colocou números no que eu já observava no dia a dia. O estudo investigou o uso de redes sociais no trabalho sob a lente da Teoria da Autodeterminação, e o que ele descobriu é um verdadeiro "furo" no senso comum corporativo.


Muitos gestores acreditam que dar total liberdade (a tal da autonomia) é o segredo para o colaborador se desenvolver. Mas a ciência trouxe um balde de água fria: curiosamente, o estudo rejeitou a hipótese de que a autonomia sozinha leva ao desenvolvimento de novas habilidades.


Ter a liberdade de usar as ferramentas como quiser não basta.

O que realmente move o ponteiro da competência são outros dois pilares: o sentimento de maestria e o de pertencimento.


O "pulo do gato" aqui é entender que as redes sociais corporativas, quando bem utilizadas, não são distrações, mas agentes ativos de desenvolvimento. Elas aumentam nossa percepção de competência (o sentir-se capaz) e de relacionamento (o sentir-se cuidado e conectado). O "micro-learning" e o suporte emocional que acontecem organicamente em uma troca informal no Teams funcionam como catalisadores de aprendizado muito mais potentes do que aqueles treinamentos formais e engessados. É a validação social e até a crítica construtiva dos pares que constroem a segurança técnica que você tanto busca.


Para tirarmos isso da teoria e levarmos para a sua carreira, deixo aqui três provocações que costumo fazer no consultório.

  • Primeiro, olhe para sua competência: você tem usado suas interações digitais para compartilhar o que sabe e buscar feedback real, ou está apenas usando o chat para dar "check" em tarefas burocráticas? A maestria exige exposição, não apenas silêncio para ser produtivo.

  • Segundo, sobre sua conexão: os canais da sua empresa servem para criar pontes de apoio emocional e troca de experiências ou são apenas canais de cobrança fria? Sem o "sentir-se parte do bando", o aprendizado não floresce.

  • Terceiro, sobre sua intencionalidade: onde termina o ruído das notificações inúteis e começa a troca de conhecimento que realmente te faz sentir um profissional melhor? A liberdade sem o suporte da maestria e do grupo é apenas solidão digital.


A tecnologia não vai retroceder, mas a nossa forma de lidar com ela precisa de um ajuste de rota. Na psicoterapia, frequentemente organizamos essas tensões entre quem somos e como nos mostramos no trabalho, seja presencial ou digital.


Afinal, a carreira é feita de conexões, mas a identidade é construída na qualidade dessas trocas.

E você? Sente que as redes da sua empresa alimentam sua competência ou apenas o seu cansaço?



Referência APA: 

Obeidat, A. M. (2026). Does Work Social Media Usage Affect Employee Skills Based on Self-Determination Theory. Administrative Sciences, 16(4), 190. https://doi.org/10.3390/admsci16040190.



SOBRE A AUTORA

Renata Almeida é psicóloga, mestranda em Administração (bolsista CAPES) e fundadora da [re]think.people, consultoria especializada em conectar pessoas e empresas ao futuro do trabalho, ao ajudar profissionais e organizações a lidar com o impacto humano da transformação: o que muda na identidade profissional, nas relações, saúde mental e desenvolvimento de habilidades humanas - skills.

Por meio de atendimentos individuais e em grupo, promove autoconhecimento, e desenvolvimento prático de competências para atravessar mudanças com mais autonomia para que a mudança realmente aconteça. 

 

 

DISCLAIMER

Texto elaborado com apoio do NotebookLM para organização e síntese do conteúdo, com interpretação autoral.



 
 
 

Comentários


bottom of page